terça-feira, 13 de abril de 2010

O Espírito de Humildade e de Orgulho




“ Se Deus pensasse apenas em sim mesmo e para si recolhesse o seu espírito e o seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.”
Jó 34.14-15
O espírito de humildade é uma das sublimes virtudes de Deus. Todos os seguidores do Senhor Jesus Cristo têm à sua disposição o fôlego do Espírito Santo para guiá-los de acordo com a Sua vontade. A humildade é uma das principais virtudes necessárias ao cristão para seguir ao Mestre.
“ E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.”
Romanos 8.9
A virtude do Espírito Santo é o fôlego para que os Seus filhos exalem o perfume do Senhor Jesus aqui na Terra. O espírito de humildade, o de amor, o de alegria, o de domínio próprio e o de paz são virtudes de Deus para os Seus filhos.
Uma pessoa que se diz cristã, mas não manifesta a fragrância do Senhor Jesus, ou seja, a humildade, engana-se a si mesma, pois pode falar em línguas estranhas e até manifestar outros dons espirituais, mas se houver um mínimo do espírito de orgulho em sua vida, então, o espírito que nela está não é o de Deus.
È preciso tomar cuidado com o coração, pois o espírito de orgulho se aloja nele; porém, só há um lugar para o orgulho quando não há mais o espírito de humildade. Não se pode esquecer do exemplo de Lúcifer, que andava no brilho das pedras e liderava todos os anjos celestiais, até que o orgulho encheu o seu coração e se rebelou contra Deus. Esse orgulho não foi colocado nele por um outro ser, mas nasceu de dentro dele próprio, talvez, devido à cobiça dos seus olhos.
Viu a glória de Deus e a desejou para si, e o que aconteceu com ele pode acontecer também com o servo; aliás, ele próprio é o único que pode se destruir ao permitir que o orgulho entre no seu coração.
Surgem, então, uma pergunta: é possível uma pessoa ter o selo do Espírito Santo e, ainda assim, ser possessa pelo espírito de orgulho? É claro que sim, e não apenas por esse espírito, mas por qualquer outro tipo de espírito maligno.
Lúcifer é o maior exemplo disso; era querubim da guarda do trono de Deus, tinha autoridade sobre todos os anjos – arcanjos, querubins e serafins -, vivia na presença de Deus, não havia nada que atrapalhasse a sua comunhão com o Altíssimo, por que tudo era santo, puro e perfeito e, no entanto, caiu, permitindo que nascesse dentro de si um desejo maligno.
Compare, portanto, a nossa situação com a de Satanás. Vivemos num mundo radicalmente contrário ao que ele vivia e habitamos dentro de um vaso impuro, enquanto ele desfrutava da santidade, mas, esmo assim, caiu; como, então, não seria também possível que o servo, neste mundo mau, perdesse a glória de Deus?
Muitas vezes, a pessoa é cristã e cheia do Espírito Santo, mas, por não manter uma constante vigilância de seu coração, pode se deixar levar pelo sentimento de cobiça, transmitido para a mente através dos olhos.
Se na mente não houver uma imediata resistência da fé, então o pensamento maligno descerá ao coração, dando luz ao desejo de cobiça. Nesse momento, o Espírito de Deus já não tem mais acesso ao coração, se entristece e é apagado naquela vida. É claro que para chegar a esse ponto, o Espírito Santo já terá esgotado todos os recursos para ajudar o servo, mas a resistência à voz do Espírito se constitui no pecado imperdoável. O espírito de orgulho é o mais perigoso de todos, pois até mesmo os pensamentos de pureza e de santidade podem levar uma pessoa ao orgulho da santidade e isso é terrível!
O Senhor Deus disse a Caim:
“ Eis que o pecado jaz a porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.”
Gênesis 4.7
O escritor aos hebreus disse:
“ Portanto também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhos, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia...”
Hebreus 12.1
Todo e qualquer pecado tem que ser combatido imediatamente, pois se o deixarmos criar raízes será muito mais difícil dominá-lo. O pecado do orgulho, contudo, tem raízes mais sólidas e profundas e creio que tem sido o responsável pelo maior número de quedas de homens de Deus. Isso acontece por que é sutil e discreto quando nasce, podendo surgir através de elogios, do desejo de glória ou por pensamentos sugestivos do diabo, mas, uma vez desenvolvido, é quase imbatível.
O orgulho é altamente mortal e quando, finalmente, se manifesta já tem suas raízes bem estabelecidas e dificilmente é expelido.
“Como o crisol prova a prata, e o forno, o ouro, assim o homem é provado pelos louvores que recebe.”
Provérbios 27.21
A pessoa que comete os pecados da carne tem chance de se arrepender, embora esses pecados deixem marcas dolorosas até a morte. O pecado do orgulho, porém, cujas raízes estão no coração, é muito mais difícil de ser arrancado, de forma que se leve a pessoa ao arrependimento, porque o orgulhoso dificilmente aceita que o Espírito Santo use alguém para lhe admoestar e sempre acha que Ele deve lhe falar pessoalmente.
Se houvesse alguma possibilidade, Deus teria recuperado Lúcifer, mas, normalmente, o orgulhoso acha que sabe tudo, que conhece tudo, que não precisa de ninguém e nem de conselhos, enfim, se amarra de tal forma nos seus pensamentos, nas suas palavras e atitudes que fica praticamente impossível recuperá-lo; o jeito é deixá-lo nas mãos de Deus e esperar.
O escritor aos hebreus disse:
“ É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o a ignomínia.”
Hebreus 6.4-6
O espírito de orgulho faz suas vítimas sentirem a sensação de auto-suficiência. Sentem-se gloriosas por terem autoridade sobre os demônios e demais pessoas, pelo poder econômico, enfim, de serem independentes de quem quer que seja, e quando esse sentimento chega no coração não adianta tentar ajudá-las. Por isso é muito importante o servo ter sempre consciência de que não tem nada e de que tudo lhe foi emprestado por Deus por algum tempo.

“Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas as livra”.
Salmos 34.19

Fonte: Livro O Senhor e o Servo (Bp. Macedo)

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